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Histórias, músicas e representação social marcam entrega da Comenda 2 de Julho a Dom Zanoni, proposta por Angelo Almeida 

Foi ao som tocante da canção “Fruto do Suor”, de Raíces de América, na voz e viola do músico Cescé Amorim, que o arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Castro Dementtino, recebeu a Comenda 2 de Julho, em sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), nesta quinta-feira (30).
“Só o fruto é importante. Não me sintas forasteiro. Não me invente geografias. Sou tua raça, sou teu povo, sou teu irmão no dia-a-dia”. O trecho da letra da música parece descrever a trajetória de Dom Zanoni, marcada por consciência e representação social, especialmente no que diz respeito à população negra no Brasil. E foi justamente isso o que motivou o deputado Angelo Almeida (PSB) a propor a honraria ao arcebispo.
“A grande maioria dos fiéis não admite que a fé cristã tenha uma dimensão social e política. Insiste em praticar uma fé desligada dos problemas concretos do cotidiano, vivida no âmbito meramente privado”. Esta frase, escrita por Dom Zanoni ainda quando era estudante de teologia, abriu o discurso de Angelo, que seguiu ressaltando o quanto os sentimentos manifestados na juventude seguem presentes nas ações do arcebispo e justificam o reconhecimento. “Quando eu li esse texto, pensei: ‘Esse é o motivo dessa comenda. É também por essa frase que estamos aqui hoje.’”, frisou o deputado.
Em mais uma demonstração de consciência coletiva, Dom Zanoni ressaltou que compreende que a tarefa dele é a mesma de Angelo e de todos que representam a sociedade: “Manter desperta a sensibilidade pela verdade, justiça e paz, a fim de buscarmos juntos àquilo que é bom não somente para os católicos, mas para todos”. E complementou com trecho do Hino 2 de Julho, reforçando a sua defesa à democracia: “Nunca mais, nunca mais o despotismo regerá, regerá nossas ações! Com tiranos não combinam brasileiros, brasileiros corações!”.
Presente na sessão, a irmã de Dom Zanoni, Helania Castro, foi a responsável por entregar-lhe a comenda, acompanhada do arcebispo emérito de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, que também fez uma oração no início da cerimônia.
O evento foi encerrado com o samba contagiante do grupo musical Quixabeira da Matinha, de origem distrito de Feira de Santana em que Dom Zanoni fundou a primeira paróquia quilombola do Brasil e onde foi confeccionado o pandeiro que ele deu de presente ao Papa Francisco, em viagem recente ao Vaticano.
Outras presenças 
A sessão especial de homenagem a Dom Zanoni também foi prestigiada pelo representante da pastoral afro-brasileira de Salvador, Cloves Cabral; a presidente do Dispensário Santana, Irmã Rosa; o advogado Maurício Vasconcelos, amigo do arcebispo; o prefeito de Tanquinho, José Luíz (PT); o pároco da Paróquia Nossa Senhora de Conceição do Jacuípe, monsenhor José Nery; o presidente do PSB em Feira de Santana, Roberto Tourinho; e o ex-deputado estadual, Yulo Oiticica.
Trajetória 
Dom Zanoni foi ordenado sacerdote em 1986. De lá pra cá, assumiu muitas missões. Foi pároco na Catedral de Vitória da Conquista e da Paróquia São José, em Itapetinga; vigário forâneo, vigário geral, professor, administrador diocesano de Vitória da Conquista e nomeado bispo da Diocese de São Mateus, pelo Papa Bento XVI.
Em 2014, ele chega em Feira de Santana para suceder o arcebispo emérito, Dom Itamar Vian. Em 2015, foi nomeado arcebispo pelo Papa Francisco. Em âmbito nacional, ele é o bispo referencial da Pastoral Afro Brasileira e membro da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso.

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