Pessoas com Deficiência celebram Dia Nacional de Luta na Assembleia Legislativa


Pessoas com cegueira, surdez, nanismo, albinismo, síndrome de down e paraplegia. Representantes dos mais diversos segmentos participaram da Sessão Especial realizada nesta quinta-feira, dia 21, em celebração ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Não apenas compuseram a plateia, mas tiveram vez e voz para se expressarem seja pelos emocionantes depoimentos levados à tribuna, seja nas apresentações artísticas, como na de Jeferson Souza Santos, que interpretou o Hino Nacional em Libras, e do grupo musical Batucaixa, formado por estudantes cegos do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP) que usam caixas de papelão como instrumento musical.

Proposta pelos deputados Fabíola Mansur e Angelo Almeida, do PSB, a sessão realizada no Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) foi prestigiada ainda pelo deputado federal Bebeto Galvão e pelo deputado estadual Bira Coroa e marcou a apresentação das Diretrizes para Educação Inclusiva na Bahia pela coordenadora de Educação Inclusiva do Estado, Patrícia Braile. Na ocasião, ela aproveitou para anunciar que pela primeira vez as matrículas na rede pública estadual de ensino serão antecipadas para o mês de outubro, com o objetivo de que as escolas tenham tempo para se preparar para receber os alunos.

Neta de cego, médica oftalmologista e presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alba, a deputada Fabíola Mansur destacou a data como representativa de um avanço de séculos no combate ao preconceito e na inclusão, nem sempre sentida pela Pessoa com Deficiência. “Que nós possamos entender que a luta não é feita em um dia, ela é feita sempre. É uma luta que começou com os familiares das pessoas com deficiência e que precisa das associações e dos movimentos sociais para chegar a nós políticos que queremos ser instrumentos dessa inclusão. Alguns querem criminalizar a política, mas é somente pela política que nós vamos continuar avançando”, declarou Fabiola Mansur.

Presidente da Frente Parlamentar em Defesa de Direitos e de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência da Bahia, o deputado Angelo Almeida aproveitou a ocasião para convidar os presentes para a realização da I Marcha da pessoa com Deficiência, no dia 6 de dezembro. “Vamos marchar pelo CAB, desde a Assembleia Legislativa até a Governadoria, levando nossas principais reivindicações. A gente quer tocar o coração do governador com essa marcha histórica”, afirmou.

Lívia Teixeira Borges, coordenadora da SerDown, anunciou para o dia 24 de novembro o lançamento da Rede de Inclusão no Ensino Superior da Bahia, que será formada por representantes da Uneb, do Ifba e da Ufba.

O professor Milton Bezerra chamou a atenção das autoridades para o grave desrespeito sofrido pelos surdos em seu direito à obtenção da carteira nacional de habilitação (CNH). “As clínicas conveniadas ao Detran querem que nós paguemos os intérpretes de Libras, mas muitas vezes os médicos não aceitam, querem que a gente pronuncie as letras durante o exame oftalmológico”, denunciou.

Já a vereadora Meirinha destacou o fato de a Câmara Municipal de Irecê ser a única do país com dois representantes das pessoas com deficiência: ela, que tem nanismo, e seu colega Fabiano, cadeirante, também presente à sessão. “Queremos lutar não só pela inclusão social mas pela participação social. Incluir é fácil; conviver, socializar e ter um olhar justo é que é difícil. Precisamos ser vistos e respeitados como pessoas capazes”.

Também participaram da mesa ampliada de debate Alexandre Carvalho Baroni, superintendente dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SUDEF/SJDHDS); Valdenor Oliveira, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coede); Derval Freire Evangelista, presidente da Federação das Apaes do Estado da Bahia (Feapaes); Reinaldo Maia, presidente do Fórum Baiano de Pessoas com Deficiência; Cristina Gonçalves, do Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas; Carla Suzana Menezes, presidente da Aesos (Associação Sons do Silêncio); Luiza Câmara; Mário Lima, procurador do Estado, representando a OAB; Eva Rodrigues, representando Defensoria Pública da Bahia.

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