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Eu sou Feirense
 
Nós acreditamos nessa terra, nesse povo e em tudo que possa fazer Feira crescer. Gente simples, rica, sábia, devota, batalhadora, criativa. Esse espaço foi criado para revelar a identidade de Feira de Santana: a sua gente.
 

Pablo Roberto Gonçalves da Silva aos 11 anos escondia um segredo de sua família. Um segredo diferente da maioria dos meninos que, como ele, moravam no bairro Feira IX, e foi a partir desse segredo que Pablo Roberto descobriu a diferença entre oportunidades e escolhas. Enquanto sua mãe acreditava que o menino estava brincando pelas ruas, Pablo estava... trabalhando como ajudante de pedreiro em obra perto de casa. E ele trabalhava por necessidade; a necessidade de ser independente.

Após seis meses, quando seu segredo foi então revelado, o menino resolveu trocar de ofício. Deixou de misturar cimento e passou a vender frutas e verduras no Centro de Abastecimento, onde descobriu que a proximidade que existe entre ser feirense e feirante não se restringe a grafia. Gente firme, trabalhadora e sonhadora, sem tirar os pés do chão. Assim como ele.

O medo da mãe era que ele parasse de estudar. E não parou. Na verdade, na escola, ele fez um pouco mais que estudar. Tornou-se líder estudantil e lutou pela liberdade de sua classe. Após realizar muitas peripécias na tentativa de implantar o Grêmio na Escola Maria Quitéria, foi expulso.
Lutou contra o aumento da tarifa de transporte, ocupou a Prefeitura, Câmara, Sindicato... e sente saudade de quando as pessoas faziam mais pelos interesses comuns. Mais por uma Feira que é mais que dos Santanas, Cerqueiras, Souzas ou Gonçalves – assim como ele –, uma Feira de Todos.

29 anos, um filho (Lucas), estudante (de Serviço Social), Pablo resolveu preservar algo daqueles tempos de escola. O que está em volta. Como presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente e gerente da Casa de Atendimento Sócio Educativo Juiz Melo Matos, ele está sempre rodeado de jovens que só estão descobrindo a diferença entre oportunidades e escolhas. Assim como ele fez um dia.

 

Quando chegava à feira de SantAnna, depois de 16 horas em cima da carroça puxada por um burro, o menino – que tinha a missão de espantar cachorros e urubus da carne de porco abatida pelo pai para vender na cidade – só conseguia sentir que ali era um lugar de trabalho e nada de distração. 65 anos depois, ele continua sentindo a mesma coisa. Nessa época, ele ainda morava em uma das muitas roças de Riachão do Jacuípe, onde nasceu com seus 21 irmãos.
Entrou em uma sala de aula pela primeira vez aos 13 anos. Aos 15, foi aprovado no exame de admissão para o seminário e se formou padre. Chegou em Feira junto com a diocese. Fundou a Igreja do Cruzeiro e o Movimento de Organização Comunitária (MOC), onde permaneceu por mais 20 anos. Enviou um documento para o papa e pediu – com jeitinho – o seu afastamento. Só então, entregou-se a política.
A política da igualdade, da terra, de chão. De sonhos. Nunca de ilusão. A política igualitária, do trabalho e do trabalhador. Política real – mesmo que distante.
Presidente do PT de Feira de Santana. Professor aposentado – pela idade, não vontade – ensinava filosofia. Ensinava em sala, agora ensina na vida. Aos 74 anos diminuiu o ritmo nos últimos meses, mas não pensa em parar de trabalhar. Envelhece. E é por ele, seu trabalho, que Antônio Albertino Carneiro se sente verdadeiramente feirense. E é, de título. 

 

O que faz um forasteiro sentir-se cidadão da terra que não é sua? Para Antonio Atanásio Freire, a paixão. Paixão por uma cidade, por uma mulher e por uma esquina onde – há 25 anos – fica uma casa pintada de rosa. Aos 12 anos deixou a Fazenda do Oitizeiro, onde nasceu, e veio tentar a vida na terra das oportunidades: Feira de Santana.

Cresceu e resolveu abrir um bar. E outro. E outro. E outro. Até que decidiu que ia dá outro ruma à sua vida. “Meu destino era Porto Seguro”, conta. Mas, o “destino” não quis assim. Foi até um restaurante da cidade – como de costume – e acabou encontrando um motivo para desistir dos seus planos.

Ele – o motivo – se chama Gildete, tem a pele morena e os cabelos encaracolados. De repente, Feira passou a ser não só uma terra de oportunidades de trabalho, mas também oportunidades para o amor. Amor esse que o fez acalentar, alugar uma casinha e abrir outro bar, dessa vez, tendo Dona Gildete como companheira.

Certo dia, um advogado da cidade sentou em uma das mesas e sugeriu um nome para o pequeno boteco e Antonio Atanásio Freire passou a ser conhecido como Seu Antonio da Casa Rosada - famosa pela Moniçoba, servida todos os dias.

 

Cresceu ao som da zabumba e do triângulo, que ouvia pelas redondezas do bar de seu pai, na antiga feira livre. Lá, via Luiz Gonzaga tocar sua sanfona na carroceria dos caminhões: o palco. E quando enveredou pela música, aos 12 anos, só quis saber de forró – daqueles pé de serra. Viva a música regional! Viajou muito. Só no Rio de Janeiro viveu seis anos. Depois Itália, Alemanha, França. Aí voltou para sua gente. Para ele, o que Feira tem de melhor é o povo. “A cidade cresce desordenadamente, vai perdendo a identidade, mas as pessoas permanecem as mesmas”.
Músico. Seis filhos. Uma mulher que o atura (palavras dele).
Cescé, feirense.

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